“Disse,
pois Jesus: vai, e faze da mesma maneira". (Lucas
10:37)
A parábola do Bom Samaritano é muito conhecida
e muito comum. Nos dias de hoje encontrarmos instituições
de caridade, hospitais, asilos e orfanatos que usam este nome:
“O Bom Samaritano”. Inclusive, em Israel, no caminho
de Jerusalém para Jericó, existe um hotel para
os turistas que viajam à Terra Santa se hospedarem
chamado Hospedaria do Bom Samaritano.
E
Jesus, nesta ocasião do versículo acima, estava
indo para Jerusalém quando de repente foi questionado
por um intérprete da Lei que lhe indagava: “E
quem é o meu próximo”. E Jesus começou
a dizer: “Um certo homem descia de Jerusalém
para Jericó...”. Esta estrada que levava
as pessoas de uma cidade a outra tinha 28 Km de distância.
E
ela era conhecida como o “Caminho de Sangue” por
causa da insegurança e dos assaltos que eram freqüentes
naquele lugar. O caminho sinuoso, pedregoso, que ia de Jerusalém
a Jericó, em apenas 28km descia mil metros. Jericó,
uma das mais velhas cidades do mundo, está a 350 m
abaixo do nível do mar, formando um oásis numa
região desértica.
O
caminho entre Jericó e Jerusalém era conhecido
pelos assaltos. O deserto, as cavernas e gargantas facilitavam
o esconderijo e a fuga. O caminho era bastante usado, por
ser, então, a única subida do vale do Jordão
para a Cidade Santa. Negócios, obrigações
legais e religiosas faziam movimentar a estrada perigosa,
onde os viajantes costumavam subir ou descer em grupos, para
se protegerem. Muitos sacerdotes que prestavam serviços
no templo de Jerusalém, moravam em Jericó, assim
como os levitas, que eram os serviçais e cantores do
templo.
Este homem que descia para Jericó, Jesus não
fala acerca da sua nacionalidade, da sua raça, se era
branco ou negro, se era rico ou pobre. Este homem de repente
se viu numa emboscada, caindo nas mãos dos salteadores,
foi sem piedade assaltado e, reagindo ao assalto ele foi espancado;
roubaram-lhe todos os seus pertences, o feriram bastante e
o deixaram como morto aos trapos à beira do caminho.
A lição de Jesus está em dizer que a
misericórdia exige que se deixe de lado o bem-estar
pessoal para socorrer um necessitado. Noutra ocasião,
Jesus foi ainda mais explícito, citando o profeta Oséias:
“Quero misericórdia e não sacrifícios”.
Mt 9:13/Mt 12:7
Quem
perguntou sobre o infeliz que caiu nas mãos dos ladrões
foi um doutor da lei, portanto, um judeu. E os judeus restringiam
muito os que podiam ser denominados próximo: eram só
familiares, os que tinham o mesmo sangue, os compatriotas
observantes da Lei Mosaica, os pagãos que adotassem
as leis, a fé e as tradições judaicas,
desde que circuncidados. Ficavam expressamente excluídos
os estrangeiros, os que trabalhavam para estrangeiros, os
inimigos de qualquer espécie, a plebe ignorante, os
que exerciam certas profissões que facilitavam a impureza
legal - a pesca, o pastoreio, o curtimento de couros -, os
pobres e os leprosos. A lição de Jesus é
clara e inovadora, de maneira forte: a misericórdia
não tem fronteiras religiosas, geográficas ou
de sangue. A misericórdia não faz restrições,
ela é obrigação de todos. Tg
2:13/Cl 3:12
O
semi-morto é um desconhecido, um anônimo, mas
um ser humano. Quem o atende é um samaritano que, para
o doutor da lei, é estrangeiro, inimigo e pecador.
O homem desprezado pelo escriba é apresentado por Jesus
como exemplo de misericórdia, porque socorreu um irmão
necessitado, sem saber quem era, sem medir perigos e conseqüências.
Assim deve ser o verdadeiro discípulo de Jesus na nova
comunidade. A dureza de coração e a supremacia
dos interesses pessoais, mesmo se sagrados, devem ceder lugar
à misericórdia. O próprio Jesus é
o grande modelo: deixou seu LUGAR DE GLÓRIA
para recolher e curar o ser humano assaltado pela força
do mal e deixado ferido à beira da estrada da vida.1
Jo 3:17
Se
vemos Jesus figurado no samaritano, podemos dizer que Jesus
é o modelo perfeito do verdadeiro discípulo.
Mas
vamos agora interpretar esta parábola do Senhor Jesus.
Nós falamos do Homem à beira do caminho, ferido,
impotente, incapaz de conseguir sozinho a sua salvação.
Este é o pecador, éramos nós antes de
conhecermos a Jesus.
Os salteadores são os demônios e os seus anjos,
que querem matar, roubar e destruir;
O sacerdote e o levita representam a Lei, a velha aliança;
e a Lei e a velha aliança não salvam ninguém.
Vivemos, graças a Deus, no tempo da graça;
O samaritano é Jesus;
O óleo é o Espírito Santo;
O vinho é o sangue de Jesus que cura o pecador;
A hospedaria é a igreja;
As duas moedas são os dois mandamentos:
1º Mandamento: “Amarás
ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de
toda a tua alma, de todo o teu entendimento e todas as tuas
forças".
2º Mandamento: “Amarás
o teu próximo como a ti mesmo”.
O dono da hospedaria é Deus!
Deus
te abençoe!
Pr.
Ubyratan Araújo
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