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Em SP, Hillary defende cota para negros

Sexta, 05 de março de 2010.

                                   
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, citou uma experiência pessoal para defender na noite desta quarta-feira (3) a prática de ação afirmativa no Brasil – sistema que tenta ajudar minorias e inclui atos como cotas nas universidades ou no trabalho, por exemplo.

Antes da chegada de Hillary à palestra na Universidade Zumbi dos Palmares, o reitor da instituição, José Vicente, disse em seu discurso que nesta quinta-feira (4), às 11h, defenderá ante ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prática dessas políticas.

- Vamos amanhã dizer que o Brasil precisa das ações afirmativas. Vamos dizer isso diante da Suprema Corte.

Vicente, que exaltou o esforço da secretária para vir ao Brasil, disse que a presença dela ajudaria a levar o assunto com mais força ao que se referiu a uma luta dos brasileiros para superar obstáculos.

O STF realiza até sexta-feira (5) três audiências públicas sobre as políticas de cotas no ensino superior brasileiro. A primeira audiência foi aberta nesta quarta-feira (3) pelo ministro Ricardo Lewandovski, relator do Supremo de dois processos que questionam, do ponto de vista constitucional, a reserva de vagas nas universidades a partir do critério racial.

A primeira ação é do DEM (Democratas), que contesta o sistema de reserva de vagas na UnB (Universidade de Brasília), e a segunda é de um estudante que diz ter sido prejudicado pelo sistema de cotas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).Hillary disse, respondendo a uma questão de um aluno sobre o tema:

- Eu não sei os detalhes do caso ante à Suprema Corte. O que eu sei é que os afro-brasileiros são mais de 50% da população, mas apenas 2% dos estudantes das universidades são afro-brasileiros.

Hillary também disse que as ações afirmativas não bastam. A secretaria de Estado disse que é preciso muito trabalho e deu um exemplo pessoal.

- Eu lecionei em uma escola de direito e muitos dos meus alunos que chegaram até lá por meio da ação afirmativa eram motivados, mas muitos tinham problemas de ensino anterior à chegada na universidade. Muitos deles conseguiram sucesso, outros não. O sistema educacional é o passaporte para as oportunidades. Deixem as pessoas entrarem nele. E com o Brasil crescendo, o que ouço, o que o deixa para trás é a formação das pessoas. Então vamos formar mais engenheiros... O que eu acho que não é justo é ficar parando parado vendo o fracasso de alguém.

Hillary disse que, como professora, passava mais tempo com seus alunos que tinham problemas educacionais anteriores à universidade e queriam superá-los do que com o restante do grupo. A secretaria de Estado também comentou que se sente orgulhosa do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, que proporcionou a extinção das leis discriminatórias contra os afro-americanos naquele país.

No entanto, ela afirma que há outras formas de discriminação em seu país, como em qualquer outro lugar do mundo. Para Hillary, a vitória de Barack Obama teve o forte simbolismo de demonstrar que um afro-americano poderia ser um presidente. Ela também disse que isso foi ainda mais especial por ela ter participado desse processo – Hillary foi pré-candidata do partido Democrata americano, mas perdeu a vaga para Obama.

Fonte: R7


 

 

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