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Angra dos Reis decreta
calamidade pública e pede ajuda

Segunda, 04 de janeiro de 2010.

A Prefeitura de Angra dos Reis decretou neste domingo (3) estado de calamidade pública após os deslizamentos que mataram 43 pessoas na comunidade pobre do morro da Carioca, no centro da cidade, e na praia do Bananal, no distrito de Ilha Grande. A medida serve para alertar a sociedade que os processos de governo e de ordem jurídica estão comprometidos momentaneamente.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva pelo prefeito, Tuca Jordão, que também pediu auxílio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, para os desabrigados e outros moradores em áreas de risco na cidade. Ele insistiu que os habitantes destes locais - estimados entre 15 e 20 pontos do município - devem deixar suas casas por conta da possibilidade de novos deslizamentos.

"O governador Sérgio Cabral disse ontem e eu repito hoje. É importante que eles deixem estas áreas para evitarmos uma nova tragédia", disse Jordão na sede da Prefeitura, ao lado do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

Por ora, as cerca de 40 famílias afetadas pela tragédia na cidade do litoral sul do Estado foram colocadas em escolas e outros prédios públicos. Angra tem mais de 200 desabrigados e cerca de 550 desalojados por conta dos deslizamentos.

Segundo ele, Angra dos Reis pedirá ao governo federal a inclusão da cidade no programa habitacional que é uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que já tem cadastro de pelo menos 6.000 habitantes que precisam de moradia.

"A ajuda de Brasília para nós seria incomensurável. Somos uma cidade pequena que até os anos 70 era basicamente turística, e que com o tempo foi incorporando as usinas nucleares e a estrutura da Petrobras. Precisamos dessa ajuda", afirmou ele, ex-secretário de habitação da cidade.

Jordão afirmou que "por precaução" pediu à Eletronuclear a suspensão dos trabalhos das usinas de Angra 1 e Angra 2 por conta das fortes chuvas que caíram na cidade da última quarta até a sexta-feira. "Chega de correr riscos. Nós temos que evitar problemas futuros", afirmou.

O prefeito pediu também que as famílias de nove casas do condomínio Praia do Jardim 2, invadidas por um deslizamento na encosta da BR-101, deixem o local.

O domingo amanheceu ensolarado em Angra dos Reis e as equipes de resgate voltaram aos trabalhos depois de uma breve interrupção na madrugada. Com a ajuda de quatro retroescavadeiras, os bombeiros seguem em busca de pelo menos cinco pessoas desaparecidas. O número de vítimas, no entanto, pode ser ainda maior.

 


 

Fonte: UOL

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