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Igrejas clandestinas
na mira do governo chinês

Quarta, 30 de dezembro de 2009.

"Clandestino" é um adjetivo utilizado na classificação de movimentos políticos, mas na China ele é associado a igrejas que existem sem a autorização do governo, o que coloca seus seguidores na mira das forças de segurança de Pequim.



No fim do mês passado, a China condenou cinco religiosos protestantes a penas de 3 a 7 anos de prisão, em uma das mais duras decisões em casos do tipo. O grupo liderava uma igreja que reunia 60 mil seguidores na Província de Shanxi, no norte da China.



Como várias que existem no país, a igreja não era registrada no Departamento de Assuntos Religiosos do governo, responsável pela supervisão de temas relacionados à fé. Sua função é garantir que as igrejas respeitem o Partido Comunista e não tentem desafiar sua autoridade. Não por acaso, os grupos registrados recebem o nome de "patrióticos", pela promessa de fidelidade ao Estado antes da religião.



O advogado Li Fanping, que defendeu os cinco protestantes condenados no mês passado, acredita que o principal alvo do governo são as igrejas familiares, compostas por pequenos grupos que se reúnem em casas.



"As igrejas familiares estão entre as forças não-governamentais de maior crescimento do país. Esse grupo está fora do controle do governo e, na China, as autoridades são hostis aos movimentos que fogem ao controle oficial, porque são vistos como uma ameaça ao regime e à estabilidade social", disse Li Fanping, cristão desde 1997.



O governo também vê com suspeita o trabalho de missionários estrangeiros, associados ao colonialismo de que a China foi vítima a partir de meados do século 19. Inúmeros pregadores católicos e protestantes entraram no país sob a proteção das forças invasoras para converter os chineses ao cristianismo. Hoje, a atuação de missionários estrangeiros é proibida pelo governo, mas muitos agem de forma clandestina.

 

 


 

Fonte: Estadão

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