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Atividade física reverte risco cardíaco causado pelo sedentarismo

Um novo estudo mostrou que pessoas de meia idade que começam a praticar exercícios aeróbicos podem reduzir e até reverter os riscos do sedentarismo.

A ciência acaba de trazer mais um incentivo para quem quer começar um ano mais saudável e melhorar a forma física. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico Circulation, pessoas de meia idade podem reduzir e até mesmo reverter o risco cardíaco causado por décadas de sedentarismo por meio da atividade física. No entanto, esse objetivo só é alcançado com um comprometimento de longo prazo: é necessário praticar exercício aeróbico de quatro a cinco vezes por semana, por cerca de dois anos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram o coração de 53 adultos saudáveis com idade entre 45 e 64 anos que não se exercitavam regularmente. Em seguida, os participantes foram divididos em dois grupos: no primeiro, os voluntários seguiram uma rotina de exercícios aeróbicos que foi aumentando de intensidade ao longo de dois anos e, no segundo, as pessoas deveriam praticar yoga, musculação e exercícios de equilíbrio, três vezes por semana, pelo mesmo período.

Mais oxigênio e maior plasticidade

Os resultados mostraram que os participantes do grupo de exercícios aeróbicos apresentaram uma melhora de 18% na sua ingestão máxima de oxigênio durante o exercício e uma melhora de mais de 25% na “plasticidade” do músculo ventricular esquerdo do coração – ambos marcadores de um coração mais saudável. Por outro lado, esses benefícios não foram vistos nos participantes do segundo grupo.

“A chave para um coração mais saudável na meia idade é a dose certa de exercícios, no momento certo da vida. […] O resultado foi a reversão do risco cardíaco causado por décadas de um estilo de vida sedentário, para a maioria dos participantes.”, disse Benjamin Levine, principal autor do estudo e diretor do Instituto de Exercício e Medicina Ambiental.

A rotina de exercícios

A rotina seguida pelos participantes consistia em sessões de 30 minutos de exercícios, mais aquecimento e resfriamento. Nos primeiros três meses, eles praticaram apenas três sessões de exercícios moderados. Após esse período, foi incluída uma  sessão de atividade aeróbica de alta intensidade (quatro minutos de atividade intensa com frequência cardíaca máxima de 95%, seguida por três minutos de recuperação com frequência cardíaca entre 60% e 75%).

Também foi recomendado pelo menos uma sessão semanal de treinamento de força e uma sessão de treinamento aeróbico longo, o que corresponde a uma hora de tênis, ciclismo, corrida, dança ou caminhada rápida.

Tão natural quanto escovar os dentes

Em entrevista à rede britânica BBC, Levine disse que a mensagem principal do estudo é que a atividade física precisa ser parte da rotina de higiene, como escovar os dentes. “Não é algo que se adiciona ao final do dia: você escova seus dentes, você muda suas roupas, come comida e bebe água. Você faz essas coisas para higiene pessoal. O exercício é igualmente importante. Você precisa encontrar maneiras de incorporá-lo em suas atividades diárias“.

Para Richard Siow, vice-reitor da faculdade de ciências da vida e medicina da King’s College London, o estudo também tem ramificações para condições relacionadas ao declínio cognitivo, como a demência, porque a função cardíaca melhorada facilita o fluxo sanguíneo para o cérebro.”As ramificações mais amplas deste estudo para o envelhecimento saudável precisam ser exploradas”, disse à BBC.

Limitações

No entanto, é válido ressaltar que esse regime de exercícios aeróbicos deve ser iniciado antes dos 65 anos, quando o coração parece manter a “plasticidade” e a capacidade de se remodelar. Após essa idade, provavelmente os resultados não serão tão promissores.

O estudo apresenta algumas limitações, como o fato de todos os voluntários estarem dispostos e aptos a participarem de uma rotina de exercícios intensos, o que não é uma realidade para a maioria da população dessa faixa etária, e não terem sido considerados outros fatores, como dieta e poluição, que podem afetar os resultados.

Fonte: VEJA


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